O humor está em alta, com Rafael Cortez

A música é levada a sério pelo humorista. Ano passado, lançou o álbum “Elegia da Alma”, 100% independente, com 15 composições criadas de 1996 a 2010. O trabalho, que segue mais na praia da MPB, é um desdobramento de sua carreira como compositor de peças para violão solo e músicas populares que deu origem ao CD demo “Solo”, lançado em 2005.
Sua paixão pela música é tanta que o fez assumir mais um compromisso em sua já apertada agenda. Fã de Nara Leão desde a adolescência, o humorista de 35 anos, encabeça uma equipe que, em 30 de outubro, pretende levar ao Auditório Ibirapuera (SP) 15 vozes femininas para interpretar justamente o repertório de Nara. O time de cantoras é eclético. Vai de nomes populares como Ivete Sangalo e Sandy a figuras da cena emergente como Mallu Magalhães, Mariana Aydar, Fabiana Cozza, Thais Gulin e Roberta Sá. “Eu idealizei o projeto, escrevi tudo e selecionei o elenco. Na verdade eu estou bem envolvido em tudo, mas a função principal é essa”, conta Cortez.
Em sua primeira passagem por Belém, o comediante fala ao Caderno Você sobre as expectativas do show, limites entre jornalismo e humor, e projetos de estrelar um programa solo. Ufa! E haja fôlego.
Rafael Cortez: um cara multimídia
P - Já veio a Belém? Se sim, o que conhece da cidade?
R - Não, esta é a minha primeira vez na cidade. Estou ansioso para fazer o show por aí. Ainda não exploramos a região Norte do país. Estivemos em junho em Manaus e agora chegamos a Belém. Vai ser muito legal!
P - Em seu site, você se define como ator, palhaço, músico e jornalista. O título do show “De Tudo Um Pouco” faz uma alusão a isso? O que esperar da sua apresentação de stand-up?
R - Exatamente. Tenho uma formação muito eclética, fiz e faço muitas coisas, então o show mistura um pouco de tudo. Está muito ligado à minha personalidade. Mas vamos deixar claro: o De Tudo Um Pouco não é um stand-up, é um show de humor. Tem interação com a plateia, piadas, histórias e uma sequência cômica em que toco violão e canto.
P - Como administras essas diversas facetas de sua carreira? Alguma ficou negligenciada com as demandas do CQC?
R - É difícil, mas como eu gosto de tudo o que faço, sempre consigo administrar os projetos. Os compromissos na televisão me fizeram ficar um pouco longe da música por um tempo, mas eu voltei com tudo e até lancei o “Elegia da Alma”, meu disco para violão solo, no ano passado.
P - E a música? Está havendo tempo para ela? Como começou na música? Quando poderemos ver um show do músico Rafael Cortez?
R - Bem, eu lancei o disco, mas não fiz nenhum show, a não ser o de lançamento, ano passado, em São Paulo. Faço pockets shows de vez em quando, mas não tem nenhuma turnê programada no momento. Comecei na música ainda na adolescência e não parei mais, mas sempre alternei momentos de maior e menor dedicação.
P - Fale um pouco do seu projeto em homenagem à cantora Nara Leão? Qual seu papel no projeto. Creio que você não deverá cantar no “Mulheres de Hoje Cantam a Nara de sempre” não é mesmo?
R - Eu idealizei o projeto, escrevi tudo e selecionei o elenco. Vou ser uma espécie de diretor / produtor executivo. Vou ser, também, a cara do projeto, o relações públicas. Na verdade eu estou bem envolvido em tudo, mas a função principal é essa.
P - Você tem formação como jornalista, atuando diversos anos na área. Como você enxerga a recente polêmica envolvendo o seu colega de CQC, o Maurício Meirelles, durante o encontro com a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton? Além de ser hostilizado pelos jornalistas, muito se comentou após o incidente sobre tentar barrar a entrada de humoristas, limitar acesso. Você acha que deve ter uma limitação? Enxerga muita diferença entre o que o CQC faz e a cobertura jornalística?
R - Eu acho isso uma grande besteira. O pessoal faz uma tempestade em copo d’água. Fizeram muito barulho em cima deste episódio, mas o que foi ao ar não me pareceu agressivo. Lógico que houve uma briga e existe a edição. Mesmo assim, não achei pra tanto. Acho que o CQC faz jornalismo, sim, mas é, em primeiro lugar, um programa de humor. Acertamos e erramos, como todo mundo. Só acho que não precisa fazer tanto barulho por pouco.
P - Falando em limites do humor, assunto sempre em voga, acha que deve ter um limite afinal de contas? Existe algo que você não faria no humor? Já levou algum processo por uma piada?
R - Tudo tem que ter limite, mas é um limite muito subjetivo. Eu posso falar por mim: tento sempre fazer algo dentro de um limite que eu mesmo me imponho. Tento sempre ter bom senso, mas sem ser coxinha. É a velha história do equilíbrio. Às vezes você pega mais pesado aqui e ali, mas nunca tive problemas sérios por uma piada ou brincadeira.
P - Vários amigos de bancadas seu estão ganhando programas na Band. Existe alguma possibilidade de você ganhar o seu?
R - É uma ideia a ser pensada. Tenho desejo, sim, de ter um programa, mas, no momento, eu sou do CQC. Já tenho muito trabalho por lá. Vamos um passo de cada vez.
SERVIÇO
O show de humor “De Tudo um pouco”, com Rafael Cortez, acontece hoje (1º), no Auditório do Hangar Convenções e Feiras da Amazônia. Sessões às 18h30 e 20h30. Ingressos: R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia), à venda nas Lojas Locus (nos shoppings Pátio Belém, Castanheira, Parque e Boulevard). Informações: (91) 8379-3640.
Fonte: Diário do Pará
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