Marcelo Tas estreia programa dominical na Band
Produzido pela Eyeworks do Brasil, o formato do novo programa é uma adaptação do argentino "Agrandadytos"
— Os entrevistados ficam mais abertos por estarem sendo sabatinados por crianças. Mas o Pelé foi metralhado por elas — garante Tas.
O jornalista, líder do "CQC", que continua à frente do humorístico nas noites de segunda-feira, apenas mediou a conversa entre o craque e as crianças (entre 3 e 12 anos) que participam do novo dominical. São elas as grandes estrelas do "Conversa de gente grande", o "CGG", programa feito para "toda a família", segundo seu apresentador.
— Não é uma atração infantil, e o elenco está me surpreendendo. Esses caras (as crianças) têm um entendimento das coisas mais complicadas. E podem ser cruéis e muito sinceros. Eu também $na berlinda o tempo todo. Criança fala tudo na sua cara. Elas questionam desde o fato de eu ser careca até as perguntas que faço. Eu estou levando cada rasteira... — assume.
Em um dos principais quadros da atração, "Mano a mano", Tas entrevista as próprias crianças. De acordo com ele, o papo sempre rende. Independentemente da idade do interlocutor. Tanto, que a ideia inicial era recrutar pequenos de 9 a 11 anos. Mas os mais novinhos conquistaram seu espaço durante os testes de elenco.
— Esse foi o nosso primeiro tombo. A gente percebeu que os muito pequenos também poderiam participar. Tem gente de 3 anos muito capaz de conversar sobre qualquer assunto — defende: — Geralmente, as entrevistas com os mais novinhos são mais difíceis para mim. Eles só falam o que querem.
Lembrado até hoje pelo Professor Tibúrcio, personagem interpretado por ele no infantil "Rá-Tim-Bum", produção da TV Cultura na década de 1990, Tas diz que desde o início teve o cuidado $não usar uma linguagem tatibitate com seus novos colegas na TV — uma galera que já nasceu em um mundo com internet, celular e mp3. Para não subestimá-los, o jornalista e sua equipe fazem questão de evitar diminutivos e afins ao se comunicar com os pequenos.
— Não tratamos ninguém de cima para baixo. Converso com elas de igual para igual. Não tem papinho não — avisa.
Produzido pela Eyeworks do Brasil, o formato do novo programa é uma adaptação do argentino "Agrandadytos". A premissa é mostrar, semanalmente, uma variedade de assuntos atuais sob a ótica infantil. Na pauta, entram temas como drogas, violência e relacionamentos.
— Percebemos o quanto essas novas gerações estão imersas, com as antenas ligadas. inclusive nas notícias. Eles podem nos ajudar a entender o mundo. Mas contam também suas vidas e seus dramas. E entregam tudo. Um garoto falou claramente que o pai estava no terceiro casamento porque é muito safado. E disse que hoje em dia o pai namora três mulheres ao mesmo tempo — relata.
O papo franco sobre qualquer tema, observa Tas, é o grande diferencial de sua atração.
— O Raul Gil já fez isso (com o quadro "Crianças curiosas", onde os pequenos entrevistam celebridades). E o "Gente inocente" (exibido pela TV Tupi nas décadas de 1960 e 70 e pela Globo $1999 e 2002) também tinha um elenco infantil. Mas a diferença do nosso é ser um programa mais adulto — compara.
Titular também do "Plantão do Tas", no Cartoon Network, o apresentador afirma que o "CQC" ainda é a sua principal atividade na TV. Mas que o "Conversa de gente grande" representa uma ousadia em sua carreira.
— Para mim, é arriscado. Por isso mesmo, muito saudável. Num momento em que tudo parece estar seguro na minha carreira, eu volto para o trapézio, sem rede de proteção. Não sei como o programa será recebido — admite.
Outra novidade é entrar no ar aos domingos, "o território mais disputado da TV aberta", como ele mesmo descreve. O "Conversa de gente grande" será exibido antes do "Pânico na Band", atração de maior audiência do canal.
— O meu humor não é escrachado como o do pessoal do "Pânico", e a gente não vai ter aquele monte de mulher de biquíni no palco. Mas garanto que teremos crianças muito mais malucas do que os caras do "Pânico" — promete ele, que se diz um dos grandes entusiastas da vinda da trupe de Emílio Surita e Sabrina Sato para a Band.
Tas sabe que o horário é disputado e trabalha $— o programa vem sendo desenvolvido e gravado desde fevereiro — para entregar um produto de qualidade e apelo junto ao público.
— É TV aberta. Temos que ir atrás de audiência. Vou concorrer com o Fausto (Silva, da Globo), de quem sou grande fã desde os anos 1980, justamente na hora das "Vídeo cassetadas".
Ele também irá competir durante 30 minutos com o ex-companheiro de "CQC", Rafinha Bastos, que entra no ar às 20h30m com o "Saturday night live", na Rede TV!.
— Eu o vi no programa de estreia. Depois, devo ter assistido somente a alguns trechos — conta o apresentador, dizendo não ter tido mais contato com Rafinha. — A gente foi colega de trabalho durante quatro anos, e a saída dele foi muito conturbada. Mas isso já tem quase um ano — corta.
Apesar de ter sofridos baixas, como a do próprio Rafinha e a de Danilo Gentili, que deixou o elenco do programa para dedicar-se ao talk-show "Agora é tarde", também na Band, Tas afirma que a renovação fez bem ao "CQC".
— Os caras que entraram (Maurício Meirelles e Ronald Rios) superaram as expectativas. Quando alguém entra com fôlego novo, estimula a equipe. Estamos planejando lançar mais gente nova no ano que vem — adianta.
No ar em seu quinto ano, o "CQC", defende Tas, está em sua melhor fase, com média de 6 pontos de audiência.
— O programa hoje é ainda melhor. Não porque pessoas saíram e outras entraram. Mas tivemos um momento adolescente, de "eu sou o máximo, eu sou o tal". Hoje estamos numa fase mais legal, até para fazer matérias sobre política.
Ao contrário de outros nomes do elenco, como Felipe Andreoli, que agora concilia o "CQC" com o semanal "Deu olé", Tas garante que nunca batalhou para ter um programa solo na Band.
— Esse projeto não estava nos meus planos e nem fui eu que propus. Já tinha programa suficiente na minha vida. Mas acho legal o "CQC" ter gerado vários filhotes e influenciado outras atrações. O programa formou uma geração de roteiristas. A maior parte da equipe do Danilo saiu do "CQC". Abrir mão desses roteiristas foi difícil, mas esse é o exercício, nos obriga a renovar.
Pai de Luiza, de 23 anos, Miguel, de 11, e Clarice, de 6, Tas diz ter uma política de não expor seus filhos. Mas os mais novos já bateram o pé para aparecer no "Conversa de gente grande".
— O Miguel é muito parecido comigo fisicamente, e a Clarice é uma louca varrida. Falei para eles convencerem a mãe (a atriz Bel Kowarick), e ela liberou a participação.
É esperar para ver.
Fonte: Extra
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