O que o Rafael Cortez e o Public Enemy têm em comum?

O que você provavelmente não sabe é que, além de humorista, o Rafa também é músico


Hoje estreamos mais uma seção no Lineup, é a “In the Crowd”. Aqui, convidamos pessoas que a gente costuma ver nos palcos pra nos contar sobre suas experiências mais incríveis do outro lado dos holofotes, na plateia.

O nosso primeiro convidado é o Rafael Cortez, do CQC. O que você provavelmente não sabe é que, além de humorista, o Rafa também é músico. Ele toca violão clássico e tem até um álbum gravado, “Elegia da Alma”, em que todas as canções são instrumentais e foram compostas por ele. Ai você pensa: se o lance do cara é violão clássico, o show mais marcante pra ele deve ter sido algum do Paulinho da Viola, do Caymi, quem sabe até do Caetano. Mas aí é que você se engana. Frente à pergunta de qual foi o melhor show da vida, Rafa dispara:Public Enemy, Ginásio do Ibirapuera, 1991.

Ele continua: “Os caras estavam estourados, no auge, sucesso total. O ginásio do Ibirapuera estava lotado. Era um show proibido pra mim, eu tinha um ano a menos do que a censura para aquele show permitia, mas um tio me levou”. Os detalhes ainda estão frescos na memória de Rafael, que é tão fã da banda que tem uma tatuagem no braço em homenagem ao Public Enemy: “Começava com uma sirene nuclear muito alta e um blackout total no palco. A primeira música foi ‘Welcome to the Terrordome’. Entraram uns negões do Bronx dançando, vestidos como militares, perfeitamente sincronizados. Depois entrou o Chuck D e o Flavor Flav, cantando e correndo de um lado para o outro do palco sem parar. Foi do caralho.”

Os negões que ele cita são a The Security of the First World, uma combinação de segurancas/ dançarinos da banda, que se organiza como um estado independente, com exército, ministros e um posicionamento político muito claro nas canções. Eles defendem os direitos civis negros desde os anos 80 e se associaram com outros ativistas do movimento durante toda a carreira, incluindo o diretor Spike Lee em 1989, quando Chuck D compõs ‘Fight the Power’ para a trilha sonora de ‘Faça a Coisa Certa’.

No ano passado, o Public Enemy veio novamente ao Brasil para o Black Cena Music Festival, e Rafael teve a oportunidade de vê-los de novo, dessa vez bem pertinho, de cima do palco. Apesar disso, nada bate aquele primeiro show da adolescência. “No ano passado eles tocaram pra 3 mil pessoas. Foi bom estar lá em cima junto com os caras, mas não se compara àquela vez, com o ginásio lotado, 50 mil pessoas. Foi o melhor show da minha vida, sem dúvida.”

Fonte: LineUP Brasil

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