Leilão beneficente tem peças encalhadas
Foi com bom coração que o músico e humorista do “CQC” Rafael Cortez doou um CD autografado e um gravata para o Leilão Escola do Povo – que tinha a intenção de arrecadar fundos para o projeto de alfabetização de jovens e adultos na favela de Paraisópolis, na Zona Oeste da capital. Mas não houve ninguém, entre os convidados do elegante jantar na Casa Petra, na região do Ibirapuera, na Zona Sul da capital, a dar um lance pelos objetos do rapaz. Ele não foi o único famoso a ter seus pertences rejeitados.
As roupas doadas pela atriz Debora Bloch, pelo ator Mateus Solano e pela cantora Luciana Melo também não motivaram nenhum dos convidados a levantar a mão e dar um lance. As chuteiras doadas pelo ex-jogador da seleção Romário não arrancaram um real pela causa.
O cantor Michel Teló pode ter feito muito sucesso com “Ai, Se Eu Te Pego”, mas tinha poucos fãs no leilão. Quando anunciado pela primeira vez, o instrumento musical não conseguiu um só lance. O leiloeiro desistiu e, só mais tarde, tentou mais uma vez. E uma mulher resolver arrematar pela “bagatela” de R$ 2 mil. Foi o único lance. Ninguém mais se interessou.
Um lote com um kit de Natal autografado pela Xuxa e uma caneta Cartier doada por Fausto Silva saiu por um lance único de R$ 2 mil. A camisa do ex-goleiro Marcos, do Palmeiras, só R$ 1 mil. E uma da Seleção Brasileira, assinada por Ronaldo Fenômeno, apenas R$ 1, 5 mil.
dupla dinâmica/Os apresentadores do “Hoje em Dia”, da Record, Edu Guedes e Celso Zucatelli doaram um kit de panelas e uma prancha de surf, respectivamente. Era para serem leiloadas separadamente. Mas, para conseguirem um lance maior, juntaram as peças. Conseguiram R$ 15 mil. Mas quem arrematou foi o cabeleireiro Wanderley Nunes, padrinho do leilão, e o próprio Edu, que ficou com a prancha.
Falta de dinheiro não era para a plateia. Segundo Neuza Barata, organizadora do evento, foram convidados empresários, principais clientes de instituições financeiras e celebridades. Só o jantar custava R$ 250.
Uma curiosidade é que muitos preferiram fazer doações na hora a arrematar as peças do leilão. Os cheques variavam de R$ 150 a R$ 5 mil. Empresas fizeram doações de R$ 50 e R$ 1 milhão. No total, a Escola do Povo arrecadou 1,6 milhão. Na noite do leilão, as peças arrecadaram cerca de R$ 150 mil e o mesmo valor em doações de pessoas que deram o dinheiro mas não quiseram levar nada dos famosos para casa.
“O que importa é a doação. O leilão é apenas um chamariz para as pessoas doarem. Queremos tornar Paraisópolis a primeira favela totalmente alfabetizada do país”, diz Gilson Rodrigues, do Instituto Escola do Povo.
Fonte: Rede Bom Dia
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