Marcelo Tas: "As crianças são ousadas. Os adultos mais bobinhos"
Apresentador do “Plantão do Tas” fala sobre o programa, trabalho com o público infantil e seus novos projetos
Marcelo Tas é um homem que sabe falar com o público jovem. Se no passado ele foi admirado por personagens como o Telekid, de “Castelo Rá Tim Bum”, e o Professor Tibúrcio, de “Rá Tim Bum”, hoje ele é o apresentador do “Plantão do Tas”, exibido durante a programação do canal por assinatura Cartoon Network. Em inserções diárias, o programa conta com a participação de dois repórteres mirins, Hugo Damasceno e Iolanda Violeta, interpretados respectivamente por Marcos Felipe Oliveira e Gabriella Mustafá.
Ele ainda acrescenta que, apesar das notícias não serem reais, elas falam de problemas comuns na vida das crianças: “Hoje gravamos uma matéria sobre animais que são contratados como funcionários públicos por problemas de orçamento. A criança entende, porque em casa ela ouve várias vezes que a família ‘não tem dinheiro’ pra tal coisa”.
Tas adiantou algumas informações sobre um novo projeto que está realizando para a Band. Trata-se do talk show “Conversa de Gente Grande”, no qual ele voltará a lidar com crianças na TV aberta. O apresentador avisa, porém, que “Conversa” não será apenas para os jovens: “É um programa para a família toda assistir junta. Estou muito animado”. A previsão é que a atração estreie em maio na grade da emissora paulista.
O mestre de cerimônias do ”CQC” também falou ao iG Jovem sobre consciência política, a repercussão que os programas que fez na TV Cultura nos anos 90, o politicamente correto e a maneira como as crianças assistem TV. Confira:
Os temas de “Plantão do Tas”
“Os temas surgem muito antes das gravações. Gastamos a maior parte dos nossos esforços no roteiro. Tem gente nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina trabalhando juntas nisso, sugerindo e mudando coisas. Normalmente, após muitas reuniões e críticas, ficamos apenas com o que é muito bom. As crianças ultimamente também têm sugerido temas para as notícias, o que é bacana, porque elas têm ideias muito mais ousadas que os adultos. E o absurdo que elas sugerem gera a notícia, e que por sua vez vira piada”.
Amadurecimento
“O que eu gosto em televisão, da possibilidade de se repetir um programa, é a oportunidade das pessoas crescerem e melhorarem. Acredito que essa temporada é melhor que a anterior, e assim vai. A coisa vai melhorando com o tempo”.
CQC x Plantão do Tas
“De longe, o CQC dá mais trabalho. Eu falo isso com muita tranquilidade. As crianças são figuras mais inteligentes, mais talentosas, gravam muito mais, enquanto o pessoal do CQC já é mais deteriorado, tem uma vida mais difícil, uma vida pregressa que é complicada de lidar”.
Crianças e política
“As crianças têm uma consciência política enorme. Acho que é porque elas têm muito acesso ao noticiário. É uma geração que começa a entender política melhor que a gente. Para a gente, política é falar de eleições, de Congresso... não! Política tem a ver com lixo, com cidadania, com trânsito, com viver melhor”.
Alternativas à TV aberta
“Nessa última década, a TV aberta perdeu a vitalidade que tinha ganhado com o público infantil. Perdeu mesmo. E esse é um público exigente, que gosta de coisas boas. Eles foram buscar qualidade na TV a cabo, na web, em games. Hoje os games têm roteiristas, designers, uma criatividade conquistadora. E a TV a cabo cresceu muito porque tinha o que oferecer às crianças. Esta na hora da TV aberta reagir. Depende dela para aparecerem novos projetos”.
Notícia dos sonhos
“Gostaria de dar uma notícia sobre o dia que os habitantes da cidade de São Paulo aprendessem a lidar com seu próprio cocô. Uma cidade que já vai fazer quinhentos anos e ainda está envolvida em rios transbordando de cocô é algo complicado”.
Politicamente correto
“A gente vive um momento muito horrível com o politicamente correto, que eu acredito ser uma das maiores doenças da humanidade. Muitas vezes, [no ‘CQC’] fazemos uma piada que fica meio dúbia se passou dos limites. Eu consigo perceber essa fronteira pelas crianças, que assistem ao programa no dia seguinte, pela Internet. Elas me tiram a dúvida se eu passei dos limites ou não, enquanto os adultos criaram uma paranoia com o humor”.
Crianças vendo TV
“As crianças não têm tempo a perder. O adulto fica trocando de canal e não assiste quase nada no fim das contas. A criança não fica tão dispersa: ela gosta, ela assiste, ela critica o que vê. Os adultos são muito bobinhos, especialmente aqueles que acham que as crianças não assistem TV direito”.
Repercussão da TV Cultura
“Até hoje as pessoas me param na rua para falar desses personagens. Ontem mesmo, um músico de 23 anos fez uma declaração de amor ao Professor Tibúrcio. Me sinto sortudo por ter um público que me acompanha há 25 anos – quem via o “Rá Tim Bum” hoje lê o meu blog, o meu twitter, vê o CQC. Mas tem o efeito colateral dessa relação: por ser muito íntima, as pessoas se sentem no direito de criticar o que eu digo. Eu entendo e aproveito para aprender com isso. É uma relação emocional que mexe muito comigo”.
Conversa de Gente Grande
“Não é um projeto infantil, mas vai ter a participação das crianças. É um projeto para a família assistir toda junta e que está me animando muito. Não tem um público específico. Será um talk-show, e nós já começamos a gravar, deve estrear em maio”.
Fonte: IG
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