Às vezes eles acertam

Afinal, existe a tal da 'Ridicularização do Humor'?


A reprise de alguns dos “melhores momentos” de 2011, nas intermináveis retrospectivas de fim de ano, chamou a atenção para algo realmente engraçado, e ao mesmo tempo constrangedor. Por que os programas humorísticos, em sua grande maioria, para fazer o público rir, precisam explorar o grotesco, os desvios de comportamento, a humilhação, a dor e até aspectos físicos de suas “vítimas” que não se encaixam nos padrões de beleza? 

Parece regra geral, mas atrações como A grande família ou Tapas e beijos ainda tentam fazer algo inteligente. No entanto, não é o que se vê em outros horários e canais. A exploração da miséria criativa é tão comum que muita gente até se habituou a assistir passivamente a produções com qualidade evidentemente baixa. Tem muita porcaria na televisão, o que obriga o público a uma incansável busca de atrações realmente interessantes.

Domingo passado, o Pânico na TV voltou a mostrar algumas das “matérias” que foram ao ar ao longo de 2011, quase sempre mostrando mulheres bonitas com pouca roupa, se submetendo a situações ridículas, desde dar aquela voltinha para mostrar o traseiro até ser agarrada e erguida pelo pretenso entrevistador, que rodopia com sua presa. Em outro quadro, o humorista vira piloto de teste de corrida de jegue; mais à frente outro é confinado em uma caixa cheia de ratos! De inocentes brincadeiras, a coisa pode terminar em acidente até grave, não é tão difícil de imaginar.

Existem muitos outros exemplos, como o da já saudosa turma do Casseta e Planeta, que nem sempre acertou ao fazer caricaturas dos personagens da vida real. Muitas pegadinhas também podem ter resultados trágicos e até matar do coração algum desavisado. Em determinados programas de auditório, as provas que exigem esforço físico, quando o jogador disputa a chance de ganhar um carro zero, da mesma forma representam ameaça à integridade dos participantes. Caia lá do alto do tobogã do Faustão para ver se é gostoso.

Produzir diversão não precisa necessariamente criar situações desse tipo. O CQC, da Bandeirantes, por exemplo, faz humor com qualidade, ainda que tenha derrapado em algumas piadas de mau gosto. Com raras exceções, o ser humano sai ileso, sem maiores danos, porque o que é ridicularizado é a situação, a conduta criminosa, o desprezo à ética. O jornalista-humorista não prende, não pune, não tortura. Ele expõe o infrator e quem julga é o telespectador.

Muitos “alvos” da perseguição da trupe do CQC se revoltam, esperneiam, censuram, xingam e até chegam a agredir seus interlocutores. Mas com isso só ressaltam seu triste papel. Rafinha Bastos cometeu, sim, um deslize na tentativa de fazer uma piada, mas já foi punido, afastado do programa, enfiado na geladeira. Então está bom, chega! O que se espera é que a lição tenha sido aprendida. E que inspire outros profissionais do entretenimento a procurar sempre manter um certo nível. E olhe que perigo: o BBB acabou de começar….

Fonte: Divirta-se

0 Response to "Às vezes eles acertam"

Postar um comentário

© 2013 Fã Clube Band - Todos os direitos reservados.