'Crio meus personagens quando conheço alguém que me chama atenção'

Marco Luque se apresenta hoje no Cine-Theatro Central

Marco Luque traz "Labutaria" para o Cine-Theatro Central

Mais uma vez sozinho, porém, desta vez, "acompanhado" de cinco personagens. De volta a Juiz de Fora, Marco Luque sobe ao palco do Cine-Theatro Central neste sábado, a partir das 21h, com seu novo espetáculo "Labutaria". O apresentador do "CQC" retoma no espetáculo as caracterizações que o deixaram famoso no YouTube, como o motoboy Jackson Five.

O nome do show, "Labutaria", remete ao trabalho diário retratado por cada um dos personagens. "Tento valorizar as profissões de forma leve", explica Luque, em entrevista à Tribuna, por e-mail. Para dar vida a cada um deles, Luque desenvolveu um estilo rápido de trocas de roupa. Elas acontecem em, no máximo, dois minutos. A familiaridade com os personagens e seus trejeitos, ambos criados por ele, contribuem para a agilidade do processo. "É como colocar nariz de palhaço, depois que você coloca, já começa a agir diferente", brinca.

Tribuna - Em 'Labutaria' você criou e interpreta cinco personagens. Qual a peculiaridade de cada um, e como foi a criação deles?

Marco Luque - São cinco personalidades do nosso dia a dia. Tento valorizar a característica da profissão de cada um. O monitor de acampamento tem certa ingenuidade, o Mustafary prega a sustentabilidade, o Silas (taxista) quer proporcionar conforto ao cliente, o Jackson Five se defende na cidade grande sempre com uma boa mensagem e a Mary Help é uma diarista 'ajeitada'. De uma forma geral, crio meus personagens quando conheço alguém que me chama atenção. Muitas vezes misturo um com outro.

- Depois de um tempo se dedicando ao stand up, você volta a interpretar personagens. Por que tomou esta decisão?

- Os personagens sempre estiveram comigo, só estavam dormindo. A procura do público por stand up foi intensa, e eu acabei me dedicando, enquanto desenvolvíamos o 'Labutaria'. Eu, a Dani Luque, o Maurício Meirelles e o Danilo Pinoti chegamos a esse formato, no qual eu posso estar com meus personagens sozinhos em cena e fazer uma troca de figurino rápida. Gosto de mesclar, ainda apresento o stand up em algumas regiões também.

- Cada personagem tem sua caracterização específica. Como acessórios e figurinos contribuem para a criação deles? Seria possível criar e interpretar personagens sem esta ajuda?

- Acessórios são essenciais na criação de um personagem. Quando crio, já imagino como o personagem seria e, naturalmente, vem a voz dele na cabeça. Até para gravar o Jackson Five na rádio, onde não aparece imagem, uso o acessório do personagem para que fique mais real. A prótese dentária, por exemplo, altera minha dicção e não usá-la pode comprometer o personagem.

- O 'CQC' chegou, na última segunda-feira, em sua edição 200. Como você avalia o crescimento do programa? O que é diferente hoje?

- Acredito que, por estarmos no quinto ano do programa, é porque deu realmente certo. Atingimos nosso objetivo de trazer os jovens para o assunto político, na linguagem deles. Não sinto que o programa tenha mudado muito nesse período, mas amadurecemos.

- Questiona-se o CQC por 'fazer piada com coisa séria' ao entrevistar, de forma bem-humorada, políticos e autoridades, por exemplo. Até onde o humor pode ir no jornalismo e no teatro?

- O 'CQC' trouxe humor para quebrar aquele formato engessado do jornalismo. Acredito que a forma de abordagem a alguns políticos seja a vontade que muitas pessoas têm em fazer. Deixá-los sem saída, já que a política brasileira é uma bagunça descarada. Já no teatro existem diversas formas de humor. A arte é uma expressão. Já o gênero stand up comedy cresceu muito nos bares, e cada humorista tem seu estilo.

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